O que é ser engenheiro para você?
“Ser engenheiro é ser um solucionador de problemas que
transforma ideias em realidade”. A frase de Marcelly Machado, aluna de
Engenharia Civil da Universidade Santa Cecília (UniSanta), é bem conhecida.
Mas, em tempos modernos, onde tudo muda na velocidade de um Mbps (megabits por
segundo, unidade que mede a rapidez da internet), quem exerce a profissão – em
suas diversas modalidades – precisa ser ainda mais ágil para conseguir
antecipar e resolver os desafios presentes na sociedade.
Por isso, neste 11 de dezembro, data em que é comemorado o Dia do(a) Engenheiro(a), o Crea-SP conversa com profissionais e universitários de diferentes gerações para evidenciar as transformações da profissão e os reflexos de ter a Engenharia como protagonista em ações antrópicas no meio ambiente, na indústria, nos campos e mais.
Já pensou, por exemplo, o que é possível viver e conhecer em
uma carreira de quase 60 anos? Esse é o caso do engenheiro Pasqual Satalino,
que conta ter aprendido muita coisa por meio da profissão. “Não fiz Engenharia
por vocação, foi por opção. Mas também não digo que me sinto realizado, porque
continuo trabalhando e vou continuar”, argumenta ao brincar que, enquanto
estiver ativo, ainda haverá tempo de novas realizações.
No imaginário de quem experiencia o setor em sala de aula e
em estágio, existe uma razão para que a motivação permaneça viva com o passar
dos anos. Marcelly entende que isso acontece porque o papel do engenheiro é ser
“humanitário, é saber o quanto o seu trabalho impacta na sociedade”, afirma.
Para ela, isso implica em “nunca parar de aprender e sempre estar curioso e
pronto para enfrentar novos desafios. Se juntar a outras áreas e usar o
conhecimento para inovar e transformar o mundo”, defende a estudante.
Essa dedicação constante é percebida dentro e fora dos
ambientes de trabalho. “A profissão de engenheiro é muito bonita e dá origem a
uma variedade de ramos de atividades. Eu fui o primeiro na minha família, mas,
depois de mim, vieram outros nove engenheiros e tenho a impressão de que é
porque fui um bom exemplo”, relata o Eng. Aiello Giuseppe Antonio Neto.
Para além da formação tradicional, absorvida nos cursos de
graduação, especialização e pós-graduação, a profissão denota uma versatilidade
única. Resiliência e adaptabilidade são algumas características em comum entre
as modalidades mais novas, como Engenharia de Inteligência Artificial, de Wearables (as
chamadas tecnologias vestíveis, em inglês), Geneticista e de Cibersegurança, às
mais convencionais, como Agronômica, Química, Mecânica e Civil. As profissões
do presente, como existem hoje, e as do futuro, que ainda vão surgir, demandam
competências humanas, interdisciplinares e multigeracionais.
“Quando criamos uma realidade melhorada, com ferramentas
para colocar em ação as nossas ideias, é que usamos Engenharia”, explica o Eng.
Agr. Lucas Teixeira Franco de Moraes, neto do precursor da cafeicultura de
qualidade, Dr. Eng. Agr. Aldir Alves Teixeira, que, com 65 anos de carreira,
está entre os recém-homenageados pelo Conselho na Sessão Plenária do Mérito*.
Formanda em Engenharia Civil pela Universidade Cruzeiro do
Sul, a universitária Gláucia Tosta, que antes de graduada já soma uma atuação
no setor hospitalar como técnica de Design de Interiores e de Edificações,
complementa ressaltando o propósito por trás de cada intervenção. “Ser
engenheira é poder ter soluções principalmente para construir novos ambientes
para as pessoas que precisam ter um momento e um lugar de cura”, comenta.
O resultado avança para um sentimento coletivo de dever
cumprido. É o que fala o Eng. Edmo José Stahl Cardoso, no alto de seus 40 anos
de trajetória. “É uma grande contribuição que sinto que dou para as pessoas,
porque ser engenheiro é mudar a vida delas e isso é motivo de muito orgulho”,
diz o conselheiro que representa a Associação de Arquitetos, Engenheiros e
Agrônomos de Artur Nogueira (AEAN), onde é diretor financeiro, no plenário do
Crea-SP.
“Sem Engenharia, nada do que pensamos e temos hoje
existiria. Engenharia é história, ciência e comunidade. É a base sobre a qual
construímos nossa sociedade e onde depositamos nossas aspirações para o futuro.
Seja pela paixão por construir, pela vontade de inovar ou pelo desejo de causar
impacto positivo, a Engenharia continua sendo uma escolha que inspira e
transforma vidas”, conclui a presidente do Crea-SP, Eng. Lígia Mackey.
*Leia mais sobre essas e outras profissões do futuro na
14ª edição da Revista CREA São Paulo, disponível aqui.
**A Sessão Plenária do Mérito é realizada anualmente e
concede o reconhecimento da classe às pessoas e instituições que protagonizaram
ações significativas para o avanço das Engenharias, Agronomia, Geociências,
Tecnologia e Design de Interiores. Além de Aldir, os engenheiros Aiello e
Pasqual, também citados nesta matéria, estão entre os agraciados na cerimônia
que aconteceu no dia 4/12.